domingo, 7 de julho de 2019

Pessoas com deficiência conhecem Fenearte por meio de visita guiada

Visitantes com deficiências sensoriais passaram três horas descobrindo a feira, em Olinda, neste domingo (7). Passeio foi acompanhado por intérpretes de Libras e audiodescritores.

Pessoas com deficiência contam com visitas guiadas para conhecer a Fenearte, em Olinda — Foto: Penélope Araújo/G1
Pessoas com deficiência contam com visitas guiadas para conhecer a Fenearte, em Olinda — Foto: Penélope Araújo/G1
Por meio de texturas, sons e sabores, visitantes com deficiência sensorial conheceram a 20ª Feira Nacional de Negócios do Artesanato (Fenearte), em Olinda, neste domingo (7). Eles participaram da visita guiada oferecida pelo evento, no Centro de Convenções, com o acompanhamento de intérpretes de Língua Brasileira de Sinais (Libras) e audiodescritores.

A visita começou com uma roda de ciranda, na Alameda dos Mestres. Deficiente visual, a estudante Bruna Alves, que nunca tinha percorrido os pavilhões da feira com a ajuda dos guias, ficou encantada.

“É muito diferente. Conheci muita coisa nova: cerâmica, bonecos e a melhor parte, que foi a de provar comidas e bebidas. Sentindo a textura, a gente consegue perceber as coisas”, conta a jovem.

Visita guiada aos pavilhões da Fenearte, em Olinda, começou com uma roda de ciranda — Foto: Arthur Mota/Divulgação
Visita guiada aos pavilhões da Fenearte, em Olinda, começou com uma roda de ciranda — Foto: Arthur Mota/Divulgação
Quem também participou da visita foi a servidora pública Ana Cláudia Alves, que tem deficiência visual e frequenta a Fenearte há vários anos. “Este ano, foi a terceira vez. E todas elas são diferentes, porque a feira é muito grande. Tem muitas coisas para conhecer e normalmente não dá tempo em um dia só”, afirma.

Para ela, a visita guiada oferece uma experiência nova. “Se você vem com uma amiga, por exemplo, por mais que ela tenha a boa intenção de passear, provavelmente só vai ver o que tem interesse. Com a audiodescrição, a gente entende sobre a história dos artesanatos, conversa com os artesãos e sabe tudo o que tem na feira. É muito melhor”, assegura Ana Cláudia.

Os artesãos também ficam animados com as visitas. Mestre Miro dos Bonecos, de Carpina, fez questão de mostrar seus bonecos articulados e apresentar suas formas e texturas.

“Eu, que não tenho a visão de um dos olhos, consigo imaginar como é. Por isso, gosto de conversar com eles e apresentar o que faço. Essas visitas me dão ainda mais força para continuar fazendo meu trabalho”, destaca o artesão.

A visita dura três horas e percorre toda as ruas da feira, além das áreas externas, como o Espaço Janete Costa. Os visitantes utilizam fones de ouvidos para acompanhar as descrições.

Os guias, no entanto, abordam muito além da descrição. Eles falam sobre temas como a história das peças, a importância do artesanato e a valorização da cultura local.

Pessoas com deficiência conhecem o artesanato exposto na Fenearte por meio das texturas — Foto: Penélope Araújo/G1
Pessoas com deficiência conhecem o artesanato exposto na Fenearte por meio das texturas — Foto: Penélope Araújo/G1
A audiodescritora Liliana Tavares, coordenadora da acessibilidade na Fenearte, destaca que a iniciativa é muito importante para garantir a inclusão de todos.

“A experiência sem audiodescrição de uma pessoa com deficiência visual, por exemplo, é sempre muito confusa, porque tem muito barulho, a locomoção é complicada quando tem muita gente. Com a visita guiada, as pessoas entendem como é a feira antes de entrar e nos dizem o que tem mais interesse”, afirma.

A Fenearte segue até 14 de julho e funciona das 14h às 22h, nos dias úteis, e das 10h às 22h, nos fins de semana. De segunda a sexta, a entrada custa R$ 10 (inteira) e R$ 5 (meia).

Nos sábados e domingos, os ingressos custam R$ 12 (inteira) e R$ 6 (meia). Os tíquetes são vendidos pela internet, em pontos descentralizados e na bilheteria do evento.


Por Penélope Araújo, G1 PE

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