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quarta-feira, 12 de junho de 2019

Número de pacientes em tratamento devido a surto de doença de Chagas chega a 31

Secretaria Estadual de Saúde informou, nesta terça (11), que 24 doentes tiveram testes laboratoriais confirmados e sete foram diagnosticados pelos sintomas apresentados.

Hospital Oswaldo Cruz — Foto: Marília Falcão/Divulgação
Hospital Oswaldo Cruz — Foto: Marília Falcão/Divulgação
O número de pacientes em tratamento devido ao surto da forma aguda de doença de Chagas registrado em Pernambuco chegou a 31. A informação faz parte do boletim divulgado, nesta terça-feira (11), pela Secretaria Estadual de Saúde. No levantamento do dia 7 de junho, o governo informou que 28 pessoas estavam recebendo os cuidados.

O maior surto da doença de Chagas na fase aguda em Pernambuco veio à tona no dia 31 de maio, quando a secretaria confirmou os primeiros resultados de testes. Segundo o boletim desta terça, 24 pacientes tiveram confirmação laboratorial e sete foram diagnosticadas a partir dos sintomas apresentados.

Ao todo, 15 pacientes seguiram para Hospital Universitário Oswaldo Cruz (Huoc), no Centro do Recife. Dados atualizados nesta terça informam que 11 tiveram alta e quatro seguem internados, com quadro estável.

Ao contrário dos doentes que estão na fase crônica da doença, a perspectiva de cura das vítimas desse surto existe, porque eles apresentam a doença na fase aguda, segundo o médico Wilson Oliveira, da Casa de Chagas.

De acordo com a SES, as pessoas contaminadas participaram de um retiro religioso em Ibimirim, no Sertão do estado, durante a Semana Santa, mas não há evidências para definição da forma de transmissão da doença.

Até esta terça, dos 77 participantes do evento, 75 já tinham feito coleta de sangue para análise, que tem sido realizada pelo Laboratório Central de Pernambuco (Lacen-PE), no Recife, e pelo Laboratório da VI Gerência Regional de Saúde (Geres), em Arcoverde, no Sertão.

A SES informa que ainda procura os demais participantes da festa religiosa para fazer coleta de sangue. O local onde ocorreu o evento, as casas do entorno e os fornecedores dos alimentos para o retiro também foram investigados. Segundo a secretaria, não foram encontrados barbeiros nem vestígios do inseto.

Barbeiro é o transmissor da Doença de Chagas; dois casos da doença foram registrados em RO — Foto: Toni Francis/G1
Barbeiro é o transmissor da Doença de Chagas; dois casos da doença foram registrados em RO — Foto: Toni Francis/G1
Doença

A doença de Chagas é causada pelo protozoário Tripanossoma cruzi, cujo vetor é o barbeiro. Outra forma de transmissão é por meio de alimentos contaminados.

Entre os sintomas estão febre contínua, intermitente e prolongada por cerca de sete dias, edema de face ou de membros, manchas vermelhas na pele, inchaço de gânglios, inflamação de fígado ou de baço, além de problemas cardíacos agudos.

Também podem acontecer manifestações hemorrágicas, icterícia, náusea, perda ou diminuição de força física, dor nas articulações, edema inflamatório nas pálpebras ou dor estomacal.

De acordo com os médicos, quem foi diagnosticado com a doença tem um acompanhamento diário, enquanto houver sintomas. Os assintomáticos têm um acompanhamento ambulatorial por cinco anos.

As causas do surto ainda sendo investigadas pela Secretaria Estadual de Saúde. Até esta terça (11), não havia sido divulgado nenhum resultado de exames.

Depoimentos

No dia 5 de junho, vítimas do surto contaram como estão enfrentando o tratamento para superar os sintomas. Duas mulheres relataram também o que aconteceu durante o retiro, quando ocorreu a contaminação.

A estudante Brysa Sascha Batalha dos Santos, de 26 anos, relatou que o primeiro sintoma foi uma dor lombar. Depois, segundo ela, essa dor passou para as pernas. A jovem teve febre e foi para uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) quatro vezes.

Outra paciente, que preferiu não ser identificada, contou que os sintomas começaram a aparecer uma semana após o fim do retiro. Com 31 anos, a mulher lembra que teve enxaqueca e dor nos membros superiores, no dia 30 de abril.

Ela afirma, ainda, que não tinha feito atividade nem esforço físico e, por isso, não havia motivo para tanta dor. Entre outros incômodos estavam náusea, dor na barriga e falta de apetite. A mulher deu entrada no hospital com o marido, que também participou do retiro e foi infectado.


Por G1 PE

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